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A música e a vida: a realidade inconformista

Segunda-feira, 19.08.13

A vida simples, as ruas das cidades, o trabalho e os sonhos alcançáveis neste mundo, esses são os temas de Bruce Springsteen. Os pés bem assentes no chão, uma energia invulgar, atenta, desperta, inquieta. 

O lugar dos afectos nessa América inclui um dos seus símbolos, o carro. É o símbolo também de cidades inteiras, hoje quase abandonadas, dedicadas à indústria automóvel. 

Bruce Springsteen é um dos rostos da América, o rosto da realidade vivida intensamente, concreta, genuína, inconformista.

 

 
 
 
 
 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 01:06

A música e a vida: a simplicidade inteligente

Segunda-feira, 12.08.13

 

Este é um exemplo de uma composiço muito simples e, no entanto, de um colorido riquíssimo. Neil Young consegue essa magia: cores quentes, uma luz especial, sentimentos genuínos, e estamos a falar de música.

Mas também a estrutura da composição está muito bem engendrada porque se torna simétrica no final, como uma construção perfeita.

É a inteligência na sua maior simplicidade, na sua limpidez. Uma inteligência natural e quase selvagem, digamos não elaborada. E estamos a falar de música.

 


Nas suas composições surgem também atmosferas e descrições da vida simples de uma certa América. 

 

 

As minhas composições preferidas de Neil Young são aquelas que misturam o folk e o country. A alegria simples e desprovida de artificialismos.

 

 

Se as nossas vidas se assemelhassem a estas composições de Neil Young, genuínas, vibrantes, coloridas e inteligentes na maior simplicidade, já repararam nas imensas possibilidades criativas?


 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:21

O mote musical para a nossa situação actual

Segunda-feira, 29.07.13

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:48

O cinema e a vida: envelhecer de forma simples, digna, livre, poética

Terça-feira, 04.06.13

 

Este é o meu David Lynch preferido (o que não é difícil... nunca entendi muito bem a sua cultura muito emocional e a sua estética onírica escapa-me completamente).
Mas esta viagem simboliza o que os afectos conseguem ultrapassar: limitações, dificuldades, obstáculos, contrariedades. 
Nesta viagem há encontros de pessoas simples o que os torna maravilhosamente complexos. A rapariga que fugiu de casa, os jovens ciclistas, o casal que o acolhe no jardim.
E conversas filosóficas sobre a vida, a guerra, os filhos, e envelhecer. Envelhecer de forma simples, digna, livre, poética.  
A vida como uma viagem.
  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:48

Um bébé real

Quinta-feira, 06.12.12

 

Já aqui referi este casal tão simpático, logo após o anúncio do noivado. Lembraram-me, na sua simplicidade, tudo aquilo que os tempos actuais desvalorizam: a espontaneidade, a autenticidade, a alegria. 

Entretanto, saltei aqui a cerimónia do casamento, que foi magnífica, como todos sabem. Mas hoje venho registar a notícia esperada: um bébé real.

 

 
Céus!, já me sinto a Miss Marple, encantada com as notícias felizes de bébés a caminho. Mas numa Europa em declínio e decadência acentuada, a todos os níveis, estas são as únicas notícias que vale a pena registar aqui. Notícias felizes, viradas para o futuro.
 
 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:55

Os meus anos 70 – os anos felizes

Sábado, 22.10.11

 

Os meus anos 70 não foram todos eles felizes, houve anos muito bons e anos muito maus, pelo menos na forma como os senti. Mas os anos felizes, esses, estão para sempre ligados ao lado da saúde mental. Eu explico: a saúde mental está relacionada como o viver e deixar viver, com o respeito por si próprio e pelos outros, cultura que absorvi como uma esponja na infância e na adolescência.

Claro que esta máxima filosófica não era universal e muito do meu sofrimento posterior teve a ver com esse desajustamento, mas enfim… nesses anos de eterno verão essa máxima sobrepôs-se a todas as outras. Sentia-me feliz e estava rodeada de pessoas que se sentiam felizes. Não porque tivessem tudo o que materialmente se deseja num qualquer catálogo, mas simplesmente porque tinham o essencial: estavam vivas, de boa saúde, havia sempre legumes frescos na horta e fruta da época no quintal, as estações sucediam-se no tempo certo, a família estava unida para o melhor e para o pior, a primavera anunciava os meses de passeatas e mergulhos.

Havia uma sensação de desejo de futuro, e não era por ser adolescente, nos adultos sentia-se o mesmo. Havia uma sensação de novidade no ar, de promessas de novas experiências. Esta sensação misturava-se deliciosamente com uma sensação de conforto, de gratidão por estarmos todos ali, juntos, e não era preciso muito para fazer uma festa, um simples piquenique ou uma pequena viagem já eram uma aventura.


Hoje o que vejo à minha volta nada tem a ver com os meus anos 70. Há qualquer coisa de abafado e de opressivo, como se tivessemos recuado civilizacionalmente. A máxima saudável viver e deixar viver e o respeito por si próprio e pelos outros, perdeu-se no caminho. Se queremos manter a claridade de pensamentos e emoções temos de nos distanciar deste ruído constante e ir buscar essa brisa do eterno verão desses anos felizes.


Summer breeze sintetiza tudo. Há que resgatá-la dos nossos baús esquecidos, limpar o pó dos sótãos e das caves e tirar de lá fotografias de cores quentes e desmaiadas, para nos lembrarmos que já fomos assim, bem-humorados, gratos à vida, e felizes só por estarmos juntos.

Não estou a convidar ninguém para se alienar no passado, estou a propôr precisamente o contrário: resgatar a sua natureza original e autêntica para lidar de forma saudável com o difícil presente.


 

Nota breve: Escolhi a versão do Summer Breeze com o vídeo a lembrar as cores quentes das fotografias dos anos 70.

Já agora, na minha pesquisa sobre as composições dos Seals and Crofts (que desconhecia, só tinha fixado a sua brisa de verão), descobri estas duas, We May Never Pass This Way Again (with lyrics) e este delicioso You’re The Love. Dedico-as a todos os Viajantes que mantêm intacta a claridade dos anos felizes e que a sabem resgatar nos momentos difíceis.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:24

A simplicidade poética dos anos 40

Domingo, 27.03.11

 

Vislumbro hoje uma certa nostalgia em relação a uma simplicidade poética que associamos aos anos 40, o tempo da segunda guerra mundial, os documentários sobre Londres, os filmes americanos a preto e branco, onde os laços humanos, os afectos, ocupam o lugar principal.

Posso estar muito enganada - afinal vejo sempre as possibilidades das personagens para além do que revelam -, mas foi o que vi no parzinho William-Kate e o anúncio de um noivado, ela no seu vestidinho azul de corte simples, ele no seu fato e gravata.

É o que pressinto em muitos jovens que não se deixam deslumbrar por artifícios e procuram o essencial: colaborar de forma discreta na sua comunidade. O verdadeiro voluntariado é discreto, baseia-se na amabilidade e respeito, na consciência de que todos pertencemos a uma grande comunidade, a comunidade humana. 

A par de uma atitude de eternos adolescentes mimados, que são precisamente os que dão mais nas vistas, os que fazem mais barulho, há muitos jovens que procuram viver de forma intencional e significativa, que procuram construir uma vida digna e autónoma, uma vida que concilia a simplicidade do essencial e a dimensão poética.

 

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:14

Do Baú:

Domingo, 05.04.09

 

 

O sol libertou-se das nuvens

branco, sorridente

 

E as flores

cor de um rosa desmaiado

coraram num rosa-forte

a contrastar com o verde

das folhas 

 

 

 



 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:10

Do Baú:

Sábado, 04.04.09

 

 

Há coisas que não mudam

permanecem iguais a si mesmas.

 

Como o Mosqueiro com os seus rochedos, imponentes,

a capela da Senhora da Confiança, muito branca,

a torre da igreja que bate agora as horas pontuais

e certos rituais como a missa de domingo

 

as mesmas palavras, os mesmos gestos

as mesmas imagens, os mesmos santos.

 

 

 




("Do tempo dos sonhos", Beira Baixa, 1985)

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:32

Do Baú:

Sábado, 28.03.09

 

 

Amanheceu

o céu cobriu-se de nuvens

uma névoa cinzenta desceu lentamente

 

O rio ficou cor de chumbo

 

Sons familiares chegam de longe

sons que vibram docemente dentro de mim

 

A tonalidade cinza da névoa sobre as coisas

envolve-as de mistério

mesmo as mais simples

 

 

 


 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:19








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